Música – I’ll stand by you (The pretenders)
- Glee version http://www.youtube.com/watch?v=--lw9yST1g0
“I’ll stand by you
Won’t let nobody hurt you
I’ll stand by you”
*Duas semanas antes*
- Então estás pronta para ver os resultados? –
Perguntou o João.
- Sim. – Afirmou pouco convicta. – Quer dizer,
estou nervosa, ainda bem que estás aqui comigo amor. – Respondeu Inês.
Estavam os dois, João e Inês, no quarto desta,
deitados sobre a cama dela. O quarto de Inês era grande. No meio do quarto estava
a cama que não era grande como as camas de casal, mas também não era tão
pequena como as camas de solteiro, numa das paredes encontrava-se a janela de
onde se podia ver a rua, ao lado da janela estava a secretária com o
computador, onde ela costumava estudar, na parede perpendicular a essa estava o
guarda-roupa, e ao lado uma estante onde se encontrava a televisão e uma
aparelhagem, bem como cd’s, quadros com fotos, alguns dos seus peluches e
livros, pois a Inês gostava muito de ler. Ao lado da estante estava a porta que
possuía alguns cabides, onde ela gostava de colocar a mochila e as suas
carteiras. Na parede em frente a esta, onde ficava encostada a cabeceira da
cama, havia uma mesa-de-cabeceira, esta tinha sobre ela um candeeiro, um
despertador e um porta-retratos com uma fotografia de Inês e João, por cima da
cama estava fixado um quadro onde se lia “Inês 29 de Abril de 1994”, este
quadro onde se podia ler o seu nome e a sua data de nascimento tinha sido
oferecido pela sua prima mais velha quando ela fez catorze anos, era um
presente que ela prezava muito. E na outra parede a esta estava uma pequena
cómoda com quatro gavetas e um espelho, por cima da cómoda estavam mais dois
porta-retratos um com uma foto de Inês e o irmão e outra onde se via Inês,
David e os seus pais quando os irmãos ainda eram pequenos. Esta última parede
possuía ainda um espaço onde Inês pôs um grande placard de cortiça, aí colocava
algumas coisas especiais para ela, como fotos com os amigos, com o namorado,
com o irmão ou com os primos, recortes de jornal sobre o seu clube, o Benfica,
ou de alguns dos seus cantores e bandas favoritas, horários da escola ou coisas
de que se devia lembrar, e ainda letras de músicas ou frases que a inspiravam,
poemas, recados dos amigos e bilhetes que João de vez em quando gostava de lhe
mandar e que ela amava receber.
Sobre a cama Inês descansava a cabeça no peito
do namorado, com a mão direita João brincava no cabelo de Inês e mantinham os
dedos das mãos esquerdas entrelaçados.
- Eu vou estar sempre contigo. – Disse-lhe
João com uma sinceridade que sempre lhe foi habitual e um brilho nos olhos que
não escapava nem aos mais distraídos. João estava a dizer a verdade e Inês
sabia-o perfeitamente.
- Espero bem que sim. – Brincou Inês, sem deixar
de sorrir.
Inês sempre
gostou daquelas declarações do namorado, faziam com que se sentisse amada.
Agora tinham dezoito anos, mas conhecem-se desde os quinze, altura em que João
entrou para a escola secundária Eça de Queiroz para a turma do 10º C, a mesma
turma a que Inês pertencia. Desde logo se tornaram bons amigos gostavam de
falar sobre vários assuntos, tinham muitas coisas em comum. Passados oito
meses, em Maio de 2010 começaram a namorar, tinham na altura dezasseis anos.
Não eram apenas namorados, eram companheiros, amigos, aliás melhores amigos,
eram muito cúmplices e poucas foram as vezes em que se chatearam.
- Então vamos lá, liga o computador. – Disse
João que também estava ligeiramente nervoso, com a sensação de que alguma coisa
iria mudar e isso deixava-o inseguro.
Inês levantou a cabeça e deu um beijo rápido a
João, sentou-se na borda da cama e ficou a olhar para o namorado, lembrava-se
perfeitamente do dia em que o conheceu. Foi num domingo à tarde, no final de
Agosto de 2009. Inês tinha ido ver um jogo de futebol do irmão mais novo,
David, na altura com treze anos, tinha por hábito ir ver os jogos dele com o
pai. O jogo não tinha corrido mal era o primeiro da época, e logo contra o seu maior
rival, no final acabaram empatados 2-2, mas esse resultado não agradava a
nenhuma das equipas o que se revelou durante todo o jogo. Os jogadores estavam
impacientes, todos queriam ganhar e mostrar aos respectivos treinadores que
podiam apostar neles para o resto da época e até quem sabe subir de escalão,
ambas as equipas eram boas e o jogo estava a ser muito renhido, mas os rapazes
queriam mais e estavam a cometer muitas faltas.
Quase no final do jogo David sofreu uma falta,
ficou estendido no chão, no entanto o árbitro não assinalou qualquer irregularidade
e mandou continuar a jogada, David não gostou dessa decisão e correu atrás do
rapaz para lhe tentar tirar a bola, não teve muito sucesso, o outro rapaz era
muito bom jogador, era mais velho e um pouco mais alto que David, mas David não
queria dar o braço a torcer e como não queria perder a oportunidade de se
vingar rasteirou o outro jogador que caiu no chão e fez mais fita do que a que
era necessária, desta vez o árbitro não fechou os olhos e assinalou a falta
dando a David um cartão amarelo, este ficou ainda mais furioso.
O jogo foi decorrendo e cada vez que se
encontrava com o seu mais recente inimigo empurrava-o ou era empurrado. Nas
bancadas a irmã e o pai não estavam a gostar nada daquela atitude, assim como o
treinador e os colegas que assistiam ao jogo no banco de suplentes. Faltavam
pouco mais de cinco minutos para acabar o jogo e os dois adversárias, David
dirigia-se rapidamente para a grande área, estava muito bem colocado e poderia
fazer o golo que daria a vitória para a sua equipa, mas de novo o jogador apareceu
e com uma falta feia conseguiu tirar-lhe a bola, o árbitro assinalou, mas
apenas mostrou cartão amarelo, David achou injusto, tinha sido uma falta
perigosa e qualquer um poderia acha-la merecedora de cartão vermelho directo,
David reclamou com o árbitro que não lhe deu ouvidos, o outro rapaz apareceu
por trás dele e com um gesto mandou-o calar, David não aguentou mais e
envolveram-se numa pequena luta que resultou em expulsão para os dois. À medida
que se dirigiam para os balneários viram Inês que se levantou do seu lugar
aproximando-se das grades do campo de futebol e com um gesto de encolher de
ombros perguntava ao irmão o que se tinha passado. Claro que o outro rapaz não
sabia que Inês era irmã de David e ao vê-la sorriu-lhe, com o seu mais bonito
sorriso, foi a primeira vez que Inês viu João.
Inês suspirou, as lembranças desse dia
faziam-na sorrir. Levantou-se da cama e foi sentar-se na cadeira em frente à
secretária onde se encontrava o computador e ligou-o, enquanto esperava que
este se ligasse, rodou na cadeira ficando de frente para o namorado que
continuava deitado na sua cama e continuou a conversa.
- Tenho tanta pena que não possas concorrer
este ano. – Suspirou Inês.
- Também eu, mas eu sou burro não é, andei a
brincar e agora tenho que melhorar as notas para poder entrar em Direito. –
Entristeceu-se.
- Tu não és burro amor, não digas isso, eu
também andei meia distraída este ano. – Concluiu tentando disfarçar a
frustração e a tristeza que também a invadiam.
Assim como o objectivo de Inês sempre fora ser
psicóloga, o sonho de João sempre foi ser advogado, apesar de também gostar
muito de jogar futebol, e de ser um bom jogador, isso sempre foi para ele um
passatempo, que lhe dava muito prazer isso é certo, mas nunca o considerou uma
opção de carreira.
Ambos tinham os seus sonhos e caminhos bem
definidos, durante o namoro tinham feito planos para quando entrassem na
universidade, tentariam ficar no Porto para ser mais fácil, assim poderiam
ficar perto um do outro e das respectivas famílias, mas agora que o sonho
estava para se tornar realidade as coisas não estavam a acontecer como o
planeado, João distraiu-se demais com o futebol e as suas notas baixaram
drasticamente, sendo assim obrigado a repetir o ano. As notas de Inês também
baixaram, mas ainda poderia tentar a sua sorte nas universidades, a sua
primeira opção foi o Porto e os dois esperavam ansiosamente que ela conseguisse
entrar na sua cidade natal, assim apesar de o sonho de João ter que ser adiado
por um ano, pelo menos tinha a namorada por perto para o apoiar.
- Esse teu computador já está a pedir a
reforma, está cada vez mais lento. – Disse ele para mudar de assunto.
Ainda se sentia mal, por se ter baldado tanto
durante o ano, talvez se tivesse gerido melhor o tempo isso não tivesse
acontecido. O futebol roubou-lhe mais tempo do que o normal, pois a equipa dele
estava prestes a subir de divisão e os jogadores tinham que se esforçar mais.
Apesar de o futebol não ser uma opção de futuro para ele, dava-lhe muitas
alegrias e não tencionava largá-lo, quando jogava futebol podia libertar todas
as suas frustrações, era um escape para os problemas do dia-a-dia. No entanto
esse hobby estava a tomar-lhe demasiado tempo o que não ajudava nos estudos e
João descurou a escola durante a maior parte do ano. Quando combinava estudar
com a namorada para tentar subir as notas, tinha que fazer um esforço para se
manter concentrado, era difícil estar ao pé dela e apenas estudar.
- É, tenho que ver se os meus pais estão
dispostos a oferecer-me um novo. – Sorriu Inês, pouco convencida.
A Inês também se sentia culpada pelo namorado,
podia tê-lo ajudado mais e assim talvez ele não tivesse que repetir o ano,
podia ter insistido mais para ele estudar, podia ter recusado os convites dele,
mas isso, ela também não queria, já passava tão pouco tempo com ele, não queria
desperdiçar os poucos momentos que tinham juntos. Apesar de estudarem na mesma
escola e até de pertencerem à mesma turma era difícil para eles estarem
sozinhos, apesar de João jogar futebol num clube regional, não dispensava as
partidas de futebol durante os intervalos com os amigos, para além disso ainda
fazia parte da Associação de Estudantes da Escola Eça de Queiroz. Por sua vez
Inês fazia parte de um programa em que os alunos mais velhos davam explicações
aos alunos mais novos e era bem sucedida na sua tarefa, os alunos do terceiro
ciclo gostavam de tirar dúvidas com ela pois esta tinha um jeito especial de
explicar as coisas. Três vezes por semana, depois das aulas João tinha treino
de futebol e Inês jogava na equipa de voleibol da escola. Os fins-de-semana
também eram preenchidos, João tinha os seus jogos de futebol e Inês gostava de
os ir ver, no entanto por vezes, era difícil escolher entre os jogos do
namorado e os jogos do irmão, que disputavam a sua atenção. Em resumo, o tempo
que tinham só para eles era escasso e por vezes era utilizado para Inês
explicar as matérias ao namorado.
- Pode ser que to ofereçam como prenda por
entrares na universidade. – Disse-lhe o João.
- Ok, já está ligado – proferiu e olhou-o com
ar de menina mimada – amor, podes ser tu a ver, estou muito nervosa.
- Está bem, levanta-te daí, minha nervosinha.
– Disse João enquanto se sentava na cadeira dela e abria a página da internet
onde estavam os resultados das entradas na universidade.
A namorada de João sempre se mostrou confiante,
era uma miúda corajosa e enfrentava os problemas de frente, essa é uma das
características que fez com que João se apaixonasse por ela quase de imediato.
João lembra-se muito bem do dia em que a viu pela primeira vez. Foi em Agosto
de 2009, era o primeiro jogo da época e ele tinha recebido a notícia que iria
mudar de escola, ia deixar os amigos de sempre e mudar-se para uma escola
desconhecida e isso não lhe agradava nada, ele estava agitado o que se notava na
sua maneira de jogar.
O jogo não estava a ser fácil e a equipa dele
estava empatada 2-2, para além disso um dos miúdos da outra equipa era muito
bom e estava sempre a fazer jogadas perigosas, a equipa dele não podia perder
logo no primeiro jogo, não era um bom pressagio para o resto da época, então
tentou travar o rapaz de várias maneiras, mas não estava nos seus melhores dias
e o jogo não estava a correr bem para ele, não teve outro remédio senão
recorrer às faltas, mas o miúdo não se deixou ficar e retribuía na mesma moeda.
Faltava pouco tempo para o fim do jogo e o
outro rapaz estava a aproximar-se muito perigosamente da área ninguém o parava
e João cometeu uma falta feia, tinha a noção que ia ser expulso o miúdo ficou
magoado, mas o árbitro apenas mostrou cartão amarelo, João pode suspirar de alívio,
mas o miúdo não se calou e foi protestar com o árbitro, João mandou-o calar
colocando o dedo sobre os lábios e o rapaz não se ficou e empurrando-o, João
empurrou-o de volta e envolveram-se numa luta que culminou na expulsão dos
dois.
Enquanto se dirigia para os balneários viu nas
bancadas uma rapariga que se levantou e apoiou-se nas grades, pensou que ela
estaria a olhar para ele e sorriu-lhe. Por ter ido para os balneários mais cedo
ficou pronto mais rápido que os colegas e como não conseguia ouvir mais protestos
pelo seu mau jogo resolveu sair dos balneários e esperar os outros perto das
carrinhas que os levariam de volta a casa. Já no estacionamento viu a tal
rapariga encostada a um carro, João não podia perder a oportunidade de ir falar
com ela, mas não tinha assunto, não sabia o que dizer, mesmo assim foi-se
aproximando dela e quando estava quase a virar costas e a desistir a rapariga
virou-se e encarou-o, ele ficou sem palavras, mas não podia ficar lá a fazer
figura de parvo, então abriu a boca e deixou sair a primeira coisa que lhe veio
à cabeça “Tens chicletes?”, perguntou ele, a rapariga sorriu-lhe e quando ia
responder ouviu-se uma voz que surgiu nas costas de João, “Precisas de alguma
coisa ó palhaço?”, perguntaram-lhe, João virou-se e deparou-se com o rapaz que
tinha enfrentado no jogo, ainda era um miúdo devia ter uns doze ou treze anos,
mas encarou-o sem medo algum, e continuou “Inês este atrasado está a
chatear-te?”, “Não” disse a rapariga simplesmente, mas o miúdo continuou “Sai
daqui palerma já não te chegou estragares-me o jogo?”, João não teve tempo de
responder, pois chegou um homem “Já chega David” disse, e entrou no carro, já lá
dentro abriu a janela e disse “Inês entra no carro e trás o teu irmão se faz
favor.” Entraram os dois no carro e este arrancou, João ficou a vê-los
afastar-se e por um momento quando o carro já ia longe teve a sensação de vê-la
olhar para trás e sorrir. Inês era a irmã do rapaz que ele tinha maltratado no
campo, ficou a pensar se voltaria a vê-la em breve ou teria que esperar pela
segunda volta a encontrar no jogo contra o seu irmão. De qualquer forma a
rapariga nunca mais lhe saiu do pensamento, Inês era o nome dela.
Depois de João ter ocupado o lugar dela em
frente ao computador, Inês foi sentar-se na cama e começou a roer as unhas tal
era o seu estado de nervosismo. Queria muito entrar em Psicologia, era o seu
sonho e estava prestes a saber se este ia ser concretizado ou não.
- Então amor, boas notícias? – Perguntava cada
vez mais ansiosa.
- Calma amor. – Dizia ele, preocupado.
Ele pesquisava o nome dela na lista, encontrou-o
e abriu o link, quando viu os resultados sentiu o chão a fugir-lhe dos pés, não
sabia como reagir àquilo. Rodou na cadeira e ficou de frente para ela.
- Parabéns meu amor, entras-te em Psicologia.
- Disse tentando mostrar algum entusiasmo.
- A sério, estás mesmo a falar a sério? –
Perguntou meio incrédula.
- Claro que sim, tu entras-te em psicologia,
parabéns meu amor, tu mereces. – Disse o João enquanto se levantava para
abraçar a namorada.
Ela ria enquanto o abraçava, notava-se que
estava muito feliz, era o realizar de um sonho e apesar de ela sempre ter sido
boa aluna, tinha algumas dúvidas em relação às suas notas, que baixaram neste
último ano. Ele estava contente por ela. Inês soltou-se do abraço dele e
beijou-o, estava mesmo feliz e queria partilhar essa sua alegria com ele.
- Ainda bem, meu anjo, deste-me a melhor
notícia dos últimos tempos, estava mesmo nervosa. – Disse ela ainda um bocado
eufórica.
- Eu estou muito feliz por ti, meu amor, mas …
- disse João, não conseguindo continuar.
- Mas o quê? – Perguntou.
- Mas … - Parou mais uma vez.
- Continua João Pedro. – Pediu ela.
- Tu entras-te em Braga.

O melhor protejo de sempre.
ResponderEliminarO melhor capitulo da história!
adorei, espero que continuem.
Beijos