sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Capitulo 4 – Estás linda!


 Música - For a change - Pitt Broken 
http://www.youtube.com/watch?v=XfkmHDcK35w

But I wonder 
Will you be there for a change



Inês não demorou a perceber quem era e petrificou quando o viu, João saltou do carro num pulo. Inês copiou-lhe os movimentos saindo também do carro e colocando-se junto deles.
- O que fazes aqui? – João abraçou durante momentos o homem que se havia aproximado do carro até que se soltou do abraço e dando a mão a Inês prosseguiu. - Pai, esta é a Inês. A minha namorada.
Por momentos Inês nem conseguiu falar, todas as imagens que tinha daquele homem eram de uma pessoa fria e objectiva, parecia que não tinha sentimentos. Talvez fosse uma capa protectora para imprensa mas se era de facto resultava perfeitamente. José era treinador do Sport New York and Goodstay. Era neste momento um dos melhores treinadores da América, embora muito pouco conhecido e valorizado em Portugal. Embora filho de pais portugueses José nasceu em Estados Unidos, mas veio para Portugal em criança mantendo sempre uma vida entre os dois países e há pouco mais de quatro anos estava mais presente no continente americano devido ao clube. José era extremamente atraente e não aparentava os 45 anos de idade, tinha um fato preto vestido e uma camisa rosada, calçava uns sapatos pretos envernizados e no pulso um belo relógio, no rosto aparecia a barba de três dias que lhe dava um ar completamente irreverente. Inês estava ali bem na sua frente a ser-lhe apresentada como namorada do seu filho.
- Muito prazer. - Estendeu-lhe a mão para o cumprimentar mas foi completamente reprovada. José avançou e deu-lhe dois beijos. Um sorriso formou-se nos seus lábios.
- Oh Inês! Finalmente a conheço, não entendo como só agora fomos apresentados. – Ele olhou para João numa de brincadeira provocadora. - Já ouvi falar tanto de si.
Inês soltou um sorriso agora sem qualquer medo. José mudara completamente de expressão e mostrava ser um verdadeiro gentleman.
- Eu também já ouvi falar muito de si. – Inês ironizou um pouco, como era possível não ter ouvido falar?
Um silêncio avassalador deteve-se entre os três e Inês desejou não ter dito aquelas palavras, até que José se desfez de riso.
- Já vi que tem um sentido de humor apurado Inês. É realmente um prazer conhece-la.
- O prazer é todo meu.
- Bom, agora vamos tratar de assuntos importantes. A tua mãe pediu para dizer que logo á noite a Inês vai jantar lá a casa!
- Mas isto é assim? E se nós já tivéssemos planos para a nossa noite? – Ripostou João, começando uma brincadeira.
- Nós não vos roubamos a noite toda. Concorda Inês?
- Bem eu e o meu irmão…. – Tentou começar Inês tendo sido interrompida por José.
- Óptimo, ainda melhor! Leve-o também, iria ser um prazer. Eu já o vi jogar, e gostei do que vi, assunto não nos irá faltar. A não ser que o seu irmão não queira.
David aproximara-se, e sem se aperceber quem se encontrava com eles mando logo a sua piada para o ar.
- Estavam a falar de mim? – Disse David num sorriso travesso que tão depressa se havia formado como se desfez quando José se virou de frente para ele. Um dos seus maiores ídolos mesmo ali e ele completamente embasbacado. – ahauhaah... José?
- Oh David. O meu filho João já me falou bastante de si, tive oportunidade de o ver jogar e fiquei surpreendido, parabéns. Estávamos a combinar um jantar logo á noite, queria que te juntasse a nós.
Pela cabeça baralhada de David correram muitas perguntas extremamente descabidas. Sabe o meu nome, já me viu jogar, está a convidar-me para jantar, é pai do João? David estava surpreso, como podia José ser pai de João? E Inês nem lhe tinha contado nada.
- Como disse? Seu filho?
- Sim o joão. - José pausou. - Estou a convidá-lo para jantar em minha casa!
- Ah sim, sim claro que aceito. É um autêntico prazer.
- Sendo assim encontramo-nos logo então. - José esboçou um sorriso perante o ar de David. - E Inês foi sem dúvida um prazer conhece-la. - Depois de se despedir de todos rumou ao seu Audi.

- Podem explicar-me o que se passou aqui? - Disse João incredulo ainda olhando para a sua mão que momentos antes havia sido apertada pela de José quando este lhe deu um aperto de mão.
João e Inês riam-se na cara de David.
- Então vamos logo jantar a casa dos meus pais. – Disse João num tom torcista.
- Ah sim, claro que sim! E só por acaso o teu pai é o José Meiguinho. - Inês e João continuavam a rir. - Isso claro, gozem mais com a minha cara, porque é que nunca me tinham dito nada?
- Tu nunca perguntas-te nada. – disse Inês deitando-lhe a língua de fora.
João nunca gostou de ser apresentado como o filho de José Meiguinho por isso sempre assinara como João Pereira. Desde o início da relação que João pediu a Inês que não contasse nada, embora João soubesse da grande admiração de David pelo pai o facto de não se dar muito bem com ele nunca permitiu ter á vontade para lhe contar. Inês respeitou a sua vontade, mantendo sempre em segredo as origens do namorado.
- Então e agora? Eu nem sequer tenho um fato. Como é que vou aparecer em casa dele assim vestido.
- Não te preocupes… - João estava a gostar do ar preocupado de David e decidiu prolongar a brincadeira.
- Não? – David mirou-o com cara de espanto.
- Eu empresto-te um!
- A serio? Obrigada. Afinal até és um bom cunhado! – Inês e João desataram a rir na cara dele.
- Achas mesmo que é necessário um fato? – João estava a adorar fazer troça dele. – Afinal vais só jantar a casa do teu bom cunhado.
- Claro! - David não estava a achar piada pois a conversa estava a passar-lhe ao lado, e os risinhos dos dois estavam a deixa-lo ainda mais fulo. – Do meu cunhado e do seu PAI, que só por mera casualidade é o JOSÉ MEIGUINHO.
- Deixa de ser totó. – Inês deu-lhe uma sapatada na cabeça. – É só um jantar. Se começares com essas coisas ainda ficas em casa.
- Não! Não, isso é que não. Não posso perder a oportunidade de negociar um contrato com o Goodstay.
- Parvalhão. – Ripostou Inês. - Muita sorte tens tu em estar no Malvai, nem sei como eles quiseram um perneta como tu.
- Oh sim. E o que é que tu percebes de futebol? Eu vou ser o próximo Cristiano Ronaldo. – Eles estavam já totalmente embrenhados na picardia de irmãos.
- Por mim maninho estás á vontade, desde que eu não seja a próxima Ronalda. – Todos se desataram a rir com aquele comentário de Inês. – Bem o melhor mesmo é irmos para casa, tenho de me arranjar para o jantar com os sogrinhos. – Inês dirigiu um sorriso tímido a João e beijou-o vagarosamente nos lábios.
- Pronto, pronto. Tinha de ser, tinham de começar com o marmelanço á minha frente. – David olhou para eles com uma cara de quem estava enjoado.
- Isso é tudo inveja? – João interrompeu deixando ambos espantados com aquela intervenção.
- Vou ter de concordar maninho. Não te tenho visto com ninguém ultimamente. O teu charme já não as atrai?
- É que nem entres por ai! – David fez uma cara de falso aborrecido. – Se não tens visto é porque andas com os olhinhos tapadinhos.
- Oh sim! É mesmo isso.
- É, é isso. – David tentou acabar ali com o assunto. – Bem não querias ir embora!
- Sim vamos embora que o menino já está a ficar chateadinho coma conversa.
David entrou no carro sem pronunciar mais nada e eles seguiram-lhe o exemplo. João conduziu até casa da namorada por entre as brincadeiras de David e de Inês, antes de partirem Inês não deixou escapar a oportunidade de registar o momento e obrigou o irmão e o namorado a colocarem os seus melhores sorrisos na cara para a fotografia. Seguiram viagem, João sempre calado e pensativo pois a cada segundo que passava mais ele sentia que Inês estava mais longe. Assim que estacionaram, David saltou do seu lugar.
- Bem, eu vou tomar banho primeiro se não esta já se sabe como é.
João e Inês deixaram-se ficar. Inês contemplava a casa que em breve iria deixar para trás tal como tudo ali no Porto que passaria a ser apenas a sua morada de fim-de-semana. João ficou a olha-la e a tentar perceber o que lhe passaria pela cabeça.
- Posso saber em que estás a pensar?
Inês virou-se para ele e este pode perceber que uma lágrima lhe caia pelo rosto. João limitou-se a limpa-la e a acolher Inês nos seus braços. E assim ficaram os minutos seguintes. E aquele silêncio tinha tanto de cúmplice como de angustiante. Ambos sabiam o que queria dizer e nenhum deles estava preparado para isso. Ao fim de largos minutos Inês quebrou o silêncio.
- Promete que nunca te esquecerás de mim.
-Inês! – João pegou-lhe no queixo obrigando-a a olhar para si. – Isso seria impossível. Nós prometemos que estaríamos sempre em qualquer mudança.
Inês ficou mais do que satisfeita com a sua resposta, sorriu-lhe e juntou as suas bocas calmamente, sem qualquer pressa. Afinal aquilo que eles menos queriam era pressa, gostavam de estar ali assim daquele jeito. Durante todo o verão fizeram programas juntos de como iria ser a universidade. Sempre planos de como seria a partir de agora… no Porto. Embora a hipótese de entrar em outra universidade fosse também provável Inês nunca tinha pensado nisso. João deu por si a pensar no disparate que eles estavam a fazer, Braga ficava a pouco mais de 55 km do Porto. Além disso a semana passava a correr. Mas ambos tinham a certeza, que a partir de agora nada iria ser como antes.
Deixaram-se estar mais uns minutos amarrados um ao outro até que mais uma vez foram interrompidos. David apareceu já de banho tomado e com os seus caracóis bem arranjados. Vinha com umas calças de ganga, um pulôver azul-escuro da Lacoste, que o pai lhe oferecera no aniversário passado, tinha umas sapatilhas que Inês não reconhecera, umas Vans pretas com certeza novas, e estava a colocar no pulso um relógio oferecido por Inês, também ele preto. Desta vez David esmerara-se. Saiu do carro com o intuito de mandar uma piadinha mas outra coisa lhe chamou mais a atenção.
- Credo rapaz despejaste o frasco de perfume? – Inês tossia para o deixar ainda mais irritado.
- Deixa-te de coisas. Foram só umas gotinhas. Mas digam lá estou bem assim? - João girou sobre o seu próprio eixo.
- Sim, sim. Estás óptimo! – Inês passou por eles entrando em casa e dando uma palmada no rabo de David. – Vou tomar um banhinho rápido. – Disse Inês já subindo as escadas que a dirigiam ao quarto. – Fica á vontade amor.
João e David estavam os dois sozinhos na sala. O silêncio tornara-se incomodativo. Ainda não tinham confiança para falarem como amigos. Ambos pensavam em desfazer aquela mudez até que ouviram a voz de Inês a desafinar no banho. Olharam um para o outro e num repente desataram-se a rir. David optou então por deixar João mais á vontade visto que também ele estava um pouco constrangido.
- Vai uma partidinha? – David saltou entre os sofás e agarrou num jogo de playstation.
- Não acredito. – João avançou para ele e agarrou no jogo. – PES13 como conseguiste?
- Ah pois é Bebé! Tenho os meus contactos. – David montara já os comandos acomodando-se no sofá.
- Bem tenho mesmo de vir cá mais vezes! – Disse João sentando-se também.
- Até parece que não passas cá a vida! – David gozou-o.
- Sim mas…
- Sim mas é para estar com a Inezinha! – Riram os dois embora João estivesse um pouco acanhado. – Mas podes vir jogar mais vezes, não tenho muito com quem jogar todos têm medo de perder aqui com o craque. – Gargalharam de novo em conjunto. - Que tal um joguinho entre Benfica e Real?
- Mas isto é assim? Escolhes tu tudo? – Disse João rindo-se, pois se fosse ele também faria aquelas escolhas.
- Oh se quiseres outra tudo bem. – João acenou que não com a cabeça. – Então Real ou glorioso?
- Benfica claro.
- Desculpa mas o Benfica está para mim.
- Então se já tinhas escolhido porque perguntas-te?
- Ah parece mal não dar opção de escolha aos convidados.
João ainda ia ripostar mas viu que o jogo já começava e agarrou-se ao comando. Estava renhida a partida após largos minutos ainda se encontravam a zeros. Por entre discussões, brigas e brincadeiras relativas ao jogo ouviram então os saltos de Inês a bater nas escadas. Desviaram ambos o olhar para ela e João levantou-se, largou o comando e foi ao seu encontro. Abraçou-a e sussurrou-lhe ao ouvido.
- Estás linda! – E ficaram assim abraçados. Ao fundo da sala no sofá ouviram ainda David a gritar “goooooolo”. Mas nem isso os fez largar o abraço.  

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Capítulo 3 – “Foste a melhor coisa que já me aconteceu”



Música – “Sorte grande” – João Só & Lúcia Moniz
http://www.youtube.com/watch?v=Lj08ruTRADI

“Já se passaram alguns anos
Nem sequer vinhas nos meus planos
Saíste-me a sorte grande”



Estavam os dois sentados no banco vermelho, aquele banco em que se tinham sentado tantas e tantas vezes durante aqueles dois anos de namoro. Já antes de começarem a namorar era costume ficar por lá á conversa com os amigos. Aquele era oficialmente o banco do 12ºC, ou o SPOT como muitos gostavam de lhe chamar, era lá que a turma se encontrava todos os dias de manhã enquanto esperavam que todos chegassem, era lá que se encontravam nos intervalos, e quando se separavam por alguma razão, sabiam que se voltassem ao SPOT estaria sempre lá alguém.
Inês e João estavam encostados um ao outro, ela com a cabeça no ombro dele, e as suas mãos entrelaçadas por cima da perna dela. Estavam assim, os dois distraídos, quando ouviram uma voz bem familiar.
- Oh pombinhos, nem nas férias se largam? Nunca vi tanto mel. Quando é que tiram férias um do outro? – Perguntou a Mariana, sentando-se no meio dos dois.
- Agora vamos ter muito tempo para isso – disse João, numa voz tão baixa que mal se percebeu.
Os olhos de Inês brilharam quando ouviu a voz de Mariana, facto esse qua não passou despercebido a João, a sua namorada era muito transparente para ele. Mariana e Inês eram amigas desde o jardim-de-infância, conheceram-se com três anos e desde aí a amizade só tem aumentado. As raparigas "partilhavam tudo, menos os namorados" como elas mesmas costumavam dizer, não havia segredos entre elas, e sempre se ajudavam mutuamente. Tinham chorado muitas vezes no ombro amigo da outra, estavam presentes tanto nos momentos bons como nos maus, partilharam segredos que não contaram a mais ninguém, conheciam-se verdadeiramente uma à outra e aceitavam-se com todos os defeitos e qualidades que elas, conscientemente, sabiam possuir, eram acima de tudo irmãs.
- Eu gostava muito de saber porque é que uma certa melhor amiga passa todo o mês de Agosto sem dar notícias. – Disse ironicamente a Mariana.
- De certeza que essa melhor amiga não teve culpa. – Inês entrou na brincadeira.
- Aposto que essa melhor amiga esteve tão entretida com o namorado que nem teve tempo para um telefonema, uma sms, um email. – Continuou a Mariana.
- Em primeiro lugar, Dona Mariana, foi a senhora que foi de férias durante um mês para o Brasil e mal se despediu, eu mandei emails quase todos os dias, tentei ligar várias vezes mas ninguém atendeu, até que desisti, e da mesma maneira que eu não me lembrei de ti, tu também não fizeste muita questão de te lembrares de mim. – Concluiu Inês com um pouco de mágoa, adorava a Mariana, era a sua melhor amiga desde os três anos, mas não gostava quando ela começava com as suas brincadeiras parvas, principalmente quando não tinha razão.
- Oh, já estão as comadres chateadas. – Tentou brincar o João, mas sabia que o comentário da Inês tinha sido sério, ela tinha comentado com ele que não gostava desta ausência da Mariana, não gostou que ela se tivesse ido embora sem se despedir e não gostou que ela não tivesse dado uma única notícia durante quase um mês.
- Tens razão Best, perdoa-me, estou a ser parva, eu não tive muito acesso à internet enquanto estive no Brasil, eu vi as tuas chamadas mas por uma razão que nem sei explicar não liguei de volta. Sei que não tenho perdão, mas eu adoro-te Inês, desculpa-me. – Disse já com algumas lágrimas nos olhos, tinha errado e sabia que a Inês era a pessoa mais justa do mundo, por isso, era ela quem tinha que se desculpar.
- Oh minha parva, eu estava a morrer de saudades tuas, é claro que te perdoo, eu não sei viver sem ti. – Inês sorriu.
- É verdade, eu sou testemunha, ela estava cheia de saudades tuas. Estava sempre a dizer “A Mariana é que gosta desta música”, “Este é o gelado preferido da Mariana”, “Será que a Mariana está a gostar das férias no Brasil?” – Brincou o João, tentando fazer uma voz fininha, as raparigas riram.
- É verdade. – Acabou por concluir a Inês.
As duas amigas abraçaram-se e pediram desculpas uma à outra, João olhava deliciado e sorria, sabia como a Mariana era importante para Inês, e até ele gostava daquela miúda e tinha sentido a falta dela nas férias, tinha-se inserido muito bem na nova escola e a verdade é que a Mariana contribuiu e muito para a integração dele. A verdade era que a Mariana era chatinha, mas era uma amiga cinco estrelas.
- Anda cá parvo, também tinha saudades tuas. – Disse Mariana sorrindo.
O João juntou-se ao abraço das amigas e riram os três, parecia que estavam de volta àquela escola onde foram tão felizes.
- Então, conta-nos como foram essas férias no Brasil. – Perguntou o João.
- Ah, foi um show dji bola, cê sabi né? Muita praia, muito sol, muita água de cocô, um montji dji gatxinhos bronzeados – suspirou – foi um sonho. – Tentava imitar o sotaque brasileiro, enquanto contava as novidades aos amigos.
- Ah, gatinhos bronzeados, eu sabia que havia uma boa razão para ela não dar notícias. – Brincou a Inês.
- Bem, já gostei mais desta conversa. – Disse o João, tentando parecer enciumado, o que não era muito difícil, porque ele tinha sempre muitos ciúmes da namorada.
- Então e vocês, o que é que fizeram? Não me digam que ficaram o verão todo aqui sentados? – Brincou mais uma vez Mariana.
- Nós? Bem, na primeira semana de Agosto fomos com a mãe e os avós do João para o Gerês, depois fomos uma semana com os meus pais e o meu irmão para Sintra e a semana passada fomos os dois sozinhos para o Algarve. Não fomos ao Brasil mas visitamos Portugal de Norte a Sul. – Contou Inês enquanto pensava nas férias que tinham passado.
- O quê? O João e o David na mesma casa durante uma semana, essa eu gostava de ver. – Disse ironicamente, a Mariana.
- E dormiram no mesmo quarto. – Completou a Inês.
- Então se o João está aqui ao meu lado, quem morreu foi o David. – Gracejou Mariana.
- És muito tonta. – Disse João enquanto lhe dava uma palmada no ombro.
- É mesmo coisa do teu pai, por os dois a dormir no mesmo quarto, assim não corria o risco da filha ficar desonrada. – Brincou Mariana.
- Atenção, atenção – começou Inês – é oficial, a Mariana está de volta, já cá faltavam as tuas piadinhas de mau gosto.
- Desculpa, mas não podes negar que o teu pai é muito antiquado, podias ficar tu no quarto com o João não é verdade?
- Sabes que se o meu pai te ouve a falar assim nunca mais entras lá em casa, não sabes? – Perguntou Inês.
- O teu pai adora-me, ele não era capaz disso, e ele bem sabe como eu sou e qual é a minha opinião.
- O meu pai não é antiquado, foi uma questão de logística, a casa era pequena, os meus padrinhos e os meus primos também foram, teve que ser assim tonta. – Resmungou Inês defendendo o pai. – E, não sei se me ouviste há bocado, eu e o João fomos sozinhos para o Algarve, achas que o meu pai pensa que dormimos em quartos separados?
- Não te zangues já comigo Inês, acabei de chegar bolas.
- É que tu às vezes és muito inconveniente sabes? – Afirmou Inês já mais sorridente.
- Ó amor – começou João – não te esqueças o que o teu pai disse antes de sair de casa “Tu vais dormir com o David, filha minha não dorme com o namorado debaixo do mesmo teto que eu”, eu até fiquei assustado. – Relembrou o rapaz.
Os três riram, isso não era novidade, partilharam muitas gargalhadas juntos, principalmente naquele sítio, agora enquanto ali estavam parecia que nada tinha mudado, era um regresso ao passado, mas que tinha um sabor amargo, afinal dali para a frente nada ia ser igual.
- O meu pai estava a brincar amor, ele não é assim tão tacanho, mas gosta de manter o respeito.
- Eu sei, o meu sogro é uma pessoa com um humor muito peculiar.
- Então não me responderam se o David morreu ou não? – Perguntou Mariana para mudar de assunto.
- Não Best, o David anda por aí, aliás estamos à espera dele pra ir embora. – Disse Inês.
- Ah ok, estou mais descansada, mas continuo a pensar que nessa batalha épica era o David que sairia vencedor.
- Tão pouca fé nos meus poderes, eu ganhava mesmo sem ter que invocar os poderes das sete bolas do dragão. – Brincou João.
- Já cá faltavam os desenhos animados, o meu irmão até que andou sossegado durante as férias, mas agora que te vai reencontrar vão começar as conversas estranhas. – Lamentou-se a Mariana. – E domingo, posso ir almoçar a tua casa Inês? Tenho saudades dos cozinhados da tua mãe e podíamos por a conversa toda em dia.
- Desculpa querida, mas os meus pais estão na Madeira, ele fizeram vinte anos de casados esta semana e foram numa espécie de segunda lua-de-mel.
- Tu e o David estão sozinhos em casa?
- Sim, por quê?
- Tens razão os teus pais estão mesmo a evoluir, os bebés já ficam sozinhos.
- Por favor Mariana não comeces.
- Ok, desculpa. É verdade, meus amores, tenho uma notícia para vocês. Eu entrei em medicina. – Disse Mariana entusiasmada.
João e Inês ficaram super contentes e abraçaram-na.
- Parabéns Best, tu mereces. – Disse Inês muito feliz.
- Boa miúda, parabéns. – Continuou o João.
- Obrigado. Agora só nos vamos ver aos fins-de-semana. – Disse a Mariana.
- Ah sim, porque? – Perguntou o João.
- Vou para Braga. – Concluiu a Mariana. – O meu irmão também entrou em Braga, vamos morar na casa da minha tia que está na Austrália, assim ainda poupamos.
- Bem que oportuno. – Disse o João, deixando a Mariana com cara de quem não estava a entender nada.
- Oh meu amor, eu também entrei em Braga, em psicologia. – Informou a Inês.
- Mas isso é o máximo Best, vais viver connosco, está decidido. – Disse Mariana muito feliz.
- Não sei Best, a casa é da tua tia. – Proferiu Inês.
- Não te preocupes com isso, está decidido. – Mandou a Mariana.
- Vou falar com os meus pais e depois logo se vê. – Continuou a Inês.
- Está bem Best, mas lá estás à vontade e o João pode ir visitar-nos sempre que quiser, se é que me faço entender. – Ironizou Mariana.
- Isso até é bem pensado. – Sorriu o João. – Pensa nisso amor, se ficares com a Mariana e com o Tiago eu vou ficar mais descansado.
- É isso, pensa bem e depois diz-me alguma coisa, mas já estou a imaginar eu, tu e o Tiago em Braga, tu a cozinhar para mim todos os dias, porque como sabes não tenho jeito para isso …
- Podes parar por aí, queres que eu vá viver com vocês, ou queres uma empregada doméstica?
- Então estás a considerar a oferta, eu sabia que não me ias deixar ficar mal. E não te preocupes o Tiago também sabe cozinhar, não tão bem como tu, mas safa-se. – Ironizou Mariana.
- Tens cá uma lata Mariana, nem sei como te aturo há tantos anos sinceramente.
- Sim Inês, nós já sabemos que tu és uma santa. Agora tenho que ir embora, vou às compras com a minha mãe. Até logo meus amores. – Disse a Mariana enquanto se despedia dos seus amigos.
- Até logo. – Disseram os namorados em coro.
- Ai tão fofos, a falar em coro, depois eu ligo, trouxe uns presentes do Brasil para vocês.
A Mariana foi-se embora deixando um espaço no banco entre o casal que se voltou a aproximar e o João passou os braços por cima dos ombros da namorada.
- É melhor irmos embora também amor. – Pediu a Inês.
- Ok, avisa o teu irmão. Vamos para o carro. – Disse João.
O João deu a mão à namorada e conduziu-a até ao carro, entraram e ela mandou uma mensagem ao irmão.
<Mano, estamos no carro à tua espera. Não demores. Kiss>
Inês pousou o telemóvel no tablier do carro e distraiu-se com o rádio, quando voltou a sua atenção para o namorado reparou que este olhava para ela fixamente e sorria.
- Um cêntimo pelos teus pensamentos – disse Inês, no entanto o João estava tão absorto nos seus pensamentos que pareceu nem ouvir a namorada que insistiu tocando-lhe no rosto suavemente – João? Porque é que estás a olhar assim para mim?
- Sabes Inês, eu sempre imaginei que iria encontrar uma mulher com quem quisesse passar o resto da minha vida, um amor verdadeiro – começou João, Inês sorria – ok podes achar que é muito lamechas, mas eu sempre fui romântico, deve ser influência da minha mãe e da minha avó, sei lá.
- Podes continuar amor, estou a gostar de te ouvir – incentivou a namorada.
- Não sei porque, mas eu sempre achei que quando eu encontrasse um amor, um amor verdadeiro, ia ser para sempre, só nunca pensei que ia encontrar esse amor aos quinze anos. Tu, Inês, foste a melhor coisa que já me aconteceu, crescemos muito juntos e foi com a tua ajuda que eu me tornei no que sou hoje, obrigado por tudo meu amor.
- Ei, não me agradeças amor, só retribuí o que fizeste por mim – disse Inês para em seguida beijar o namorado de forma apaixonada – mas o que é que se passa connosco? – Continuou enquanto limpava uma lágrima que teimava em cair.
- Desculpa, não queria que ficasses assim, mas eu precisava de te dizer isto, preciso que compreendas que és a coisa mais importante para mim neste mundo.
- Eu amo-te João – rematou Inês para pouco depois voltar a beija-lo.
Estavam no carro a ouvir musica e a namorar quando alguém bate no vidro.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Capítulo 2 – Então … Amigos?


Música - Breathe in breathe out (Mat Kearney) 

http://www.youtube.com/watch?v=NDmnG9uTEfk



“Breathe in breathe out
Move on and break down
If everyone goes away, I will stay”




Inês não queria acreditar. Nesse momento um montão de coisas passou-lhe pela cabeça, embora ela tivesse posto Braga como segunda opção de entrada na faculdade, nunca acreditou que pudesse sair do Porto. O que ela mais temia estava a acontecer. Desde que namorava com João nunca tinham ficado separados, sempre ultrapassaram obstáculos juntos, esta seria a primeira vez que iriam ficar longe um do outro.    Quando ganhou coragem enfrentou João, as lágrimas escorreram-lhe pelo rosto e ele apenas a abraçou. Assim ficaram durante largos minutos. Embora não tivessem dito uma única palavra sabiam que o que lhes passava pela cabeça era exactamente a mesma coisa. Durante os anos de namoro criaram uma cumplicidade acima do normal, desde a primeira vez que se encontraram depois daquele jogo. Lembravam-se tão bem. Foi no primeiro dia de aulas do décimo ano, Inês chegava como sempre em cima da hora, muito por culpa de David. Quando chegou à escola já todos os amigos estavam reunidos. Inês tinha de contar a Mariana todas as novidades dos últimos dias, chamou pelos amigos ainda de costas.
-Eih sletos.
Mariana saiu a correr ao encontro dela, abraçou-a e cochichou-lhe ao ouvido.
- Quero ver a tua cara quando conheceres os dois borrachos novos que vêm para a turma.
- Ui, até quero ver essa beleza toda.
- Anda. Eu apresento-te.
 Mariana apressou-se a apresentar os novos colegas a Inês, até que o olhar de Inês se cruzou com o de João, o rapaz do jogo. Pararam ambos a olhar-se, até que Mariana chamou Inês de volta à terra.
- Inês, Inês. Acorda miúda. - Dizia puxando-lhe o braço.
-Ah... - Inês tirou os olhos de João para encarar a melhor amiga. - Que foi?
- Estás tótó de todo. As férias fazem-te mal.
- Desculpa. - Disse sorrindo.
-Ainda quero saber o que foi essa troca de olhares. - Disse cochichando ao ouvido de Inês.  Mariana dirigiu-se ao João. - João esta é a Inês de quem já vos falei, Inês é o João.
- É um prazer. - Disse João sorrindo, Inês retribuiu e avançou para o cumprimentar.
Agora, passados quase três anos a cumplicidade que os une é algo que nem sempre toda a gente compreendeu. Era a amizade que fazia com que a relação deles nunca tivesse tido uma rotura. Após largos minutos abraçados Inês foi quem quebrou o silêncio.
- Eu amo-te! – Foi a única coisa que conseguiu proferir encarando-o em lágrimas. – Não te quero perder.
            -Shhhiu. Não penses nisso agora! Vai avisar todos, tens de dar as boas notícias. - Inês sorriu-lhe.
            Depois de se recompor ligou para os pais, que estavam de férias. Quando do outro lado do telefone a mãe atendeu Inês tentou controlar o choro.
            - Mami. - Disse limpando as lágrimas. - Já saíram os resultados. Eu entrei. Em Braga.
            Do outro lado do telefone João conseguia ouvir os gritos de Marta a espalhar a notícia. Os pais ficaram logo eufóricos por ver a sua filha cumprir não um sonho mas sim um objetivo, como Inês gostava de lhe chamar. Mas como Inês não estava com vontade para muitos festejos tentou desligar depressa.
            João ficou a observá-la, não queria que ela notasse que ele estava triste, só queria que ela sentisse todo o seu apoio. Inês desligou a chamada e sentou-se ao lado de João quando ouviram bater á porta. Era David.
            - Desculpa não sabia que estavas ocupada. – Disse David.
David, irmão de Inês, em tempos tivera desavenças com João. Foram essas discussões que fizeram com que os destinos de João e Inês se cruzassem, embora David fosse totalmente contra a relação dos dois. Agora as coisas estavam mais calmas para além do mais, David ia jogar futebol na equipa de João, e como a relação de Inês e João estava cada vez mais sólida, não fazia sentido a situação deles continuar daquela maneira.
            - Fica. Tens de festejar com a tua irmã. Está na hora de nos deixarmos de parvoíces. – Um silêncio instalou-se no ar, até que Inês decidiu terminar com o momento constrangedor.
            - Entrei… Em Braga. - David ficou de queixo caído, Inês mais que sua irmã era a sua melhor amiga, ele não se queria separar dela por nada. Ao ver a cara assustada de Inês, David foi caminhando para ela e abraçou-a.
            -Eu sabia que ias conseguir. Parabéns!
            - Obrigada maninho.
            - Ah... Finalmente posso ir a todas as queimas com a irmã mais velha!
            - Até parece que não vais sempre.
            - Sim, sim! Mas fora da cidade é outra coisa. – David fez um ar de malandro mas rápido se apercebeu que não devia ter tocado no assunto. – Bem vou agora à escola. O pessoal está todo lá, vamos ver as turmas para o último ano do secundário! - David intensificou as suas últimas palavras.
            - Já pensas que és importante só por estares no último ano do secundário! – Inês tentou imitar a sua expressão.
            - Que engraçadinha! Queres vir… – David hesitou – Querem vir?
- Se está lá o pessoal… Nós vamos. – Inês sorriu perante o ar vitorioso de João que queria mais do que ninguém acabar com aquela guerra.
            - Sim, vamos. – Completou João.

***

Saíram de casa de Inês e David e rumaram á escola no carro que João recebera nos anos, um Range Rover preto que o pai já não usava e deixou para quando o filho tirasse a carta. Quando chegaram á escola Inês correu contar as novidades aos amigos que se encontravam no SPOT enquanto João e David foram ao pavilhão principal verificar as turmas.
            - Parece que … - Murmurou João.
            - Sim parece que sim … - Completou-o David.
Ficaram ambos surpresos quando constataram que iriam frequentar a mesma turma durante o próximo ano lectivo.
            - Ouve, - começou David - é verdade que eu nunca fui muito à bola contigo, quer dizer à bola até fomos algumas vezes - João sorriu perante o jeito atrapalhado e divertido de David - bem, eu nunca gostei de ti e penso que isso foi recíproco mas… eu acho que está na altura de acabar, tu és namorado da minha irmã já lá vão dois anos, vamos frequentar a mesma turma e eu vou entrar na tua equipa. Não me parece certo continuar a agir assim.
            João ficou perplexo perante tal atitude de David, David nunca lhe tinha falado assim. Alguns segundos depois João reagiu.
            - Tens razão! Então … - Pausou - Amigos? – João estendeu o braço para lhe dar um aperto de mão.
            - Eh também não é preciso exagerar! - David ficou reticente, mas João fez aquele olhar que tão bem o caracterizava, não ia desistir, e perante a sua persistência David foi obrigado a selar o aperto.
Inês preparava-se para entrar no edifício quando se deparou com aquela cena. Um enorme sorriso invadiu-lhe o rosto e foi a correr ter com eles.
            - Os meus dois rapazes … - Inês juntou-se a eles num abraço, rindo-se da sua ironia. – Já ouvi as novidades, vão ser colegas, estou tão contente por vocês.
            - Ooh que lamechice. – Disse David soltando-se do abraço. – Bem eu tenho de ir resolver uns assuntos pendentes… se é que me entendem. - Disse piscando o olho - Encontramo-nos á saída. Preciso de boleia.
            - Claro que precisas, de outra maneira não tinhas chegado aqui. – Inês tentou picar David mas este não reagiu á provocação.
            - Blá blá blá ... Até já!

***

Inês olhava a sua volta. Sabia que a partir de agora aquela já não seria mais a sua realidade. Foi ali que passou dos melhores momentos com João e com todos os seus amigos. Foram seis anos da sua vida. A sua adolescência. Os pactos e promessas, as projecções do futuro. Dirigiam-se para o SPOT e Inês não pode deixar de se lembrar das recordações que aquele sítio lhe trazia. Foi ali que se passou a primeira conversa entre eles. No fim da apresentação das turmas naquele primeiro dia de aulas. Estavam todos a ir embora mas Inês continuava como sempre à espera de David. No fim apenas sobraram os dois. E foi Inês a primeira a fazer conversa.
- Então... Estás a gostar da escola?
- Não era bem o que estava á espera, não queria nada vir, mas foi melhor do que eu pensava.
- Porquê?
- Não queria deixar o que tinha na outra escola. Os amigos e assim, deves saber como isso é.
- Nem por isso. Nunca mudei de escola. Estou aqui há três anos. Algum deste pessoal já conheço desde o infantário, acho que se algum dia tivesse de mudar de escola os tinha de levar comigo. Somos uma turma muito unida.
- Bem assim até me fazes sentir um intruso.
Inês sorriu num jeito meigo. - Nada disso. Nós recebemos muito bem toda a gente. Somos muito acolhedores. - Ambos gargalharam, João parou a olhar o sorriso de Inês. Inês desviou o olhar.
- Gostei muito de te ver jogar. - João ficou totalmente embasbacado com o que Inês dissera.
- Bem quanto a isso... e ao que se passou com o teu irmão.
- Deixa, eu não preciso de saber. Eu compreendo, a culpa também foi dele.
- Mas eu não costumo ser assim. Não sei o que me deu naquele dia. Eu não queria fazer-lhe mal.
- Eu sei, o David é que também não se controla. - Inês apercebeu-se de David ao longe e despediu-se á pressa para não ter problemas - Bem tenho de ir, gostei de falar contigo. - Inês levantou-se para ir embora mas interrompeu o percurso e tirando algo do bolso voltou-se para João - Acho que fiquei a dever-te uma. - Disse sorrindo - Até amanhã.
João ficou a vê-la partir. Olhou para a mão vendo o que Inês lhe tinha deixado e repreendeu-se "Sério? Chicletes? Onde é que eu tinha a cabeça?"

***

- Lembras-te de quan... - Inês ia lembra-lo desse episódio mas João cortou-lhe as palavras.
- Claro que lembro.
- Éramos tão atadinhos naquela altura.
- Éramos... Mas foi aí que eu fiquei a saber que tu ias ser minha namorada.
- Ai sim? Nunca me tinhas dito isso antes.
- É eu gosto de guardar algumas coisas para mim. - João pausou sorrindo - Tal como guardei aquela chiclete até hoje.
Inês olhou para o rosto embevecido do namorado.
- Estás a falar a sério?
- Porque haveria eu de mentir?
- Já nem te deves lembrar do sabor.
- Melancia.
Inês sorriu meigamente.
- Eu amo-te tanto.
- Estás a dizer isso porque queres tua chiclete de volta? - Inês cruzou os seus braços no pescoço do namorado.
- Oh pah como adivinhas-te? - Disse com os seus lábios próximos dos de João.
- Sei-te de cor. - Inês gargalhou.
- Ui filosofou agora.
- Só contigo.
- Acho bem, ai de ti que sejas assim para mais alguém.
- Hum... Assim como?
- Assim! Fofinho.
- Não sei se considere isso um elogio.
- Mas é!
João sorriu mais uma vez e juntou os seus lábios.
- Adoro-te minha tonta.
Depois de segundos agarrados Inês separou os olhares de ambos e olhou em volta.
            - Vou ter tantas saudades.
            - Não digas isso … - João tentava esconder a dor que ainda sentia por saber que em dois anos se iam apartar pela primeira vez. – Vais estar cá todo o tempo.
            - Não vai ser a mesma coisa.
            - Vai ser bem melhor. Afinal agora és uma universitária.
            - É tens razão… Mas preferia ser universitária aqui!
            - É um novo desafio. Era o que tu mais querias. Vais conseguir, e vais ver não vai custar nadinha. – Embora João não acreditasse nas suas palavras ele queria que ficasse tudo bem com Inês e não queria que ela se sentisse presa por ele, contudo ele não queria era que ela partisse. Sabia que ia ser uma dor que não conseguiria aguentar. Tentando afastar todos os maus pensamentos ele beijou-a suavemente. – Já sabes quando vais tratar das coisas?
            - Os meus pais só voltam no fim-de-semana. Esperava que o meu namorado estivesse disposto a ir comigo.
            - E achas que o teu namorado recusava um passeio?
            - Não sei mas aposto que ele me vai dizer.  
 - Claro que vou contigo minha tonta.